sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Caravelas – Revivalismo Quinhentista


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Este é o primeiro jogo do qual faço a review que tem um grande número de peças, cartas, acções, tabuleiros e marcadores. O Caravelas, da MESABoardgames, é um jogo que requer mais atenção e concentração do que os anteriores e só um domínio razoável das regras (que não são poucas) é que permite um jogo fluido e sem paragens.
Este jogo já tem uma versão II com regras simplificadas, mas esta review tem por base a versão I do jogo e as regras que vêm nessa versão.
Para 2 a 4 jogadores, este é um jogo de planeamento e estratégia, quer na movimentação das peças, quer na colocação de peças em jogo. Há vários caminhos para ganhar. O objectivo é acumular pontos de vitória, o jogador com mais pontos ganha o jogo.

Imagem do site da MESABoardgames

Os jogadores começam o jogo no porto de Lisboa e fazem várias viagens marítimas de descobrimento e comércio, consoante a sua estratégia de jogo e andam tantas casas quantas fichas de movimento tiverem neste turno e quiserem usar, só precisando de usar fichas em zonas especiais ou para mudar de direcção, o jogador que optar por seguir a corrente não precisa de gastar fichas de movimento. O primeiro jogador a chegar a um porto pode “descobri-lo”, marcando-o com uma peça “padrão de descobrimento” da sua cor. Chegando a um porto comercial pode fazer imediatamente comércio, carregando um navio se tiver espaço. Cada jogador só pode transportar um cubo de carga de cada tipo em cada viagem. Uma frota completa permite viajar com 6 cubos de carga, cada um de seu tipo. Quando o jogador decidir que já tem a carga que necessita regressa ao porto de Lisboa e “vende” as mercadorias, trocando-as por pontos, barcos extra (só é possível uma vez) ou contribuindo para a construção do Mosteiro dos Jerónimos. Quem contribuir para a construção do Mosteiro dos Jerónimos recebe uma peça de mosteiro e o jogo acaba quando não houver mais peças mosteiro disponíveis para entregar. Mas este jogo não é apenas correr o tabuleiro de uma ponta à outra mais depressa que os outros jogadores, há também que contar com eventos inesperados, como tempestades, desafiar o Cabo das Tormentas e tentar manter os piratas ao longe, situações que vão testar a estratégia e a sorte de cada um!

Imagem do site da MESABoardgames

Como já devem ter reparado, este jogo requer algum tempo e espaço, por isso, apesar de vir marcado com 75 minutos de tempo de jogo e dos 8 aos 88 anos, aconselhamos a contar com mais tempo de jogo e com muita paciência para jogadores mais novos, principalmente se for a primeira vez que estão a jogar. Também é capaz de ser boa ideia contar com mais tempo de jogo se se estiver a jogar com o número máximo de jogadores, pois podem aparecer muitas pausas para pensar e repensar as jogadas, antes do movimento. Pessoalmente, este jogo não parece ser o monstro de sete cabeças que nos foi relatado, ainda assim é mais adequado para quem pretende ocupar uma tarde de fim-de-semana, do que para quem quer apenas tapar um buraco no horário.
Aconselhamos este jogo, em especial, a todos aqueles que gostam da história de Portugal e da época dos descobrimentos, já que, quer o livro de regras, quer as cartas do jogo contêm informações com várias datas importantes – eu diria até que é um jogo que “pisca o olho” aos professores de história.

Este jogo é comercializado em Portugal pela MESABoardgames e pode ser adquirido directamente através do site, através da página do jogo.


Mara Beldroegas