quarta-feira, 23 de julho de 2014

Arabian Days – os dias do Al-Gharb Vila Adentro

© Mário R. Cunha
 A capital do Algarve recebeu, pela segunda vez, as suas raízes islâmicas e deixou-se envolver numa viagem pelos tempos da presença árabe, que montou arraiais Vila Adentro, nos passados dias 2 a 6 de Julho. A animação, além de danças e cantares de interação com o público, contou com espetáculos de ilusionismo, teatro, música, dança do ventre e um final apoteótico de malabarismos com fogo e fogo de artifício. O espaço da vila velha de Faro decorou-se a rigor com várias bancas de artesanato e produtos árabes, tendas de adivinhação e iguarias exóticas, contando ainda com exposições das armas e da vida islâmica e uma exposição de achados arqueológicos da época, aves exóticas e de rapina e passeios de dromedário e pónei. Estes e outros encantos fizeram as delícias do público, que se rendeu, mais uma vez, aos prazeres e delícias da vida mourisca do Algarve de outros tempos.

© Mário R. Cunha

Texto: Mara Beldroegas
Fotografia: Mário R. Cunha
Publicado na edição de Julho do jornal "Notícias de S. Braz"

terça-feira, 22 de julho de 2014

Império em 8 minutos - Conquista em fast forward


Este post tem o apoio de:

Há uns dias atrás, ao converter uma garantia da FNAC, surgiu a oportunidade de usar o dinheiro depositado no cartão para adquirir um novo jogo de tabuleiro e a escolha recaiu sobre o Império em 8 minutos da DEVIR. E porquê? Bem, porque não é um jogo só com cartas, é mesmo um jogo com um tabuleiro e é um jogo de tabuleiro, como o próprio nome diz, para jogar em 8 minutos (bem, talvez 8 minutos seja optimista, mas é de facto rápido quando comparado com os outros jogos de tabuleiro que temos).

O Império em 8 Minutos é comercializado em Portugal pela DEVIR, com tradução em português, e pode ser encontrado à venda na FNAC, na Livraria Bertrand e noutras lojas que podem pesquisar através da procura no site. Também pode ser encomendado directamente através do site da loja da Devir.

Capa da caixa.

O Império em 8 minutos é um jogo para 2 a 5 jogadores com mais de 12 anos, cujo objectivo é construir um império através da dispersão de tropas e construção de cidades nas várias áreas do tabuleiro. Cada jogador começa o jogo com 14 cubos, que representam exércitos, 3 discos, que representam cidades e um determinado número de moedas que servirão para comprar acções. A dinâmica do jogo é ditada por um conjunto de cartas de acção que são dispostas em grupos de 6 de cada vez e cada jogador, na sua vez, escolhe comprar a determinada carta que mais lhe convier e que representará a acção que este realizará na sua jogada. Existem as seguintes acções: Colocar exércitos, mover exércitos, mover exércitos com opção sobre o mar, construir cidade ou eliminar exércitos. Algumas cartas só permitem uma acção, enquanto outras permitem realizar duas tarefas numa só jogada e outras ainda permitem escolher entre duas possibilidades.

Ganha este jogo quem tiver mais pontos de vitória, depois de contabilizar os pontos de vitória acumulados em cartas compradas e o número de áreas do mapa e de continentes que o jogador controla.

Aconselhamos este jogo por vários motivos. Para quem está a entrar no mundo dos jogos de tabuleiro é uma excelente escolha porque tem um preço acessível, caixa relativamente pequena e fácil de arrumar e regras simples e em português, muito embora seja necessário ultrapassar a construção do discurso feita pelas normas da tradução em português do Brasil. Por outro lado, e também para quem está a começar, é um jogo rápido e fácil de entender, tornando-se imediatamente mais dinâmico na segunda partida, assim que as regras e objectivos já estão perfeitamente dominados. É um jogo de estratégia e gestão de escolhas e pontos, por isso talvez não seja o mais acessível ao público infantil, contudo estas características, aliadas à velocidade de cada partida, poderão interessar ao público adolescente, naturalmente mais apressado, e aos adultos que procuram preencher pausas de lazer mais curtas.

Relembramos também que este jogo está nomeado para o prémio Quina de Ouro 2014.

*Um ponto extremamente positivo que quero destacar, e que normalmente é raro, é que tem marcadores em cor-de-rosa, que são os meus favoritos. E não há nada como conquistar um império aquém e além mar com exércitos de cores fofas…


Mara Beldroegas

Músicas do Mundo voltam a invadir Loulé

© Mário R. Cunha
Os sons do mundo voltaram a encher as ruas da Loulé antiga nos passados dias 25 a 28 de Junho, com mais uma edição do Festival MED. Com início em 2004, como parte das actividades de promoção do Campeonato Europeu de Futebol, em que Portugal foi anfitrião, este festival de cultura nunca mais parou, continuando até aos dias de hoje a trazer à cidade algarvia alguns dos maiores nomes da música do mundo. Já com 11 anos de edições, a sua continuidade é prova de que o Algarve não é apenas praia, mas também ponto de encontro de culturas, que aqui descobrem uma centralidade única entre a Europa e a África, a Ásia e as Américas. Desde Turtle Island (Japão), passando por Bomba Estéreo (Colômbia), foram vários os trilhos sonoros, passando por La Selva Sur (Espanha), Nour Eddine (Marrocos), Dino D’Santiago (Cabo Verde) e Graveola & O Lixo Polifónico (Brasil). A contribuição portuguesa ficou a cargo, entre outras, de Ala dos Namorados, Gisela João, Primitive Reason e ainda de Orblua, onde São Brás de Alportel marca presença no feminino. Como é tradição, também não faltaram os petiscos e o artesanato tradicional, étnico e urbano, onde além das cores do mundo era possível encontrar uma amostra do melhor que São Brás tem para oferecer, criado pelas mãos habilidosas dos artesãos do concelho que este ano marcaram presença no festival. 

© Mário R. Cunha

Texto: Mara Beldroegas e Nélson Pires
Fotografias: Mário R. Cunha
Publicado na edição de Julho do jornal "Notícias de S. Braz"

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que é feio é ficar no passeio!*


Hoje, para variar, e a propósito de ter havido no passado dia 15 aquela coisa inédita que é uma manifestação de advogados e muita gente ter aproveitado para cascar ao mesmo tempo em duas "criaturas do demo" (leia-se manifestantes e advogados), vou falar de uma coisa séria.

Como é do conhecimento público, a situação económica e financeira do nosso país não tem sido a mais favorável à felicidade da população em geral. Mas não vou fazer comentário político nem económico, nem tão-pouco social. Não vou enumerar os maus-da-fita nem os coitadinhos, não vou falar de números, nem de percentagens, nem de fracções. Não vou falar de coisas abstratas que pouco interessam e nada esclarecem.
Hoje decidi falar de pessoas, mais concretamente da minha pessoa, e da experiência que é uma manifestação, do ponto de vista de quem só agora se encontra nessas andanças e ainda se sente um pouco como quem está de fora.

Muita gente fala dos manifestantes como aqueles preguiçosos malandros que arranjam mil e uma desculpas para não ir trabalhar, nomeadamente a greve. Ora, diz que a greve é um direito constitucional, mas entre a opinião da Constituição e a opinião pública vai uma grande diferença e pelo meio, já sabem, quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Além de falar mal dos manifestantes, outra coisa que ainda anda muito na berra é louvar até ao ridículo o empreendedorismo – ou aquela coisa do “bater punho”, se bem que isso na minha altura não significava empreendedorismo, mas adiante…

A questão é a opinião das pessoas é curiosamente bipolar, no caso dos “empreendedores” é ir tentando até dar com o furo da coisa, nenhuma oportunidade para “empreender” é considerada um desperdício de tempo, “empreendedores” têm esta característica que todos muito aclamam que é a não resignação. Viva os empreendedores! No caso dos manifestantes a não resignação é pecado capital e cada nova manifestação mais não serve do que para incomodar os outros. Ao manifestante não é permitido acreditar que na próxima é que vai ser, aos manifestantes é mandado baixar as orelhas. Abaixo os manifestantes! Em conclusão, isto leva-me a crer que os manifestantes deviam todos passar a levar faixas a dizer “um cidadão é um empreendedor em potencial” e “um desempregado não tem meios para ser empreendedor”.

Exemplo de cartazes claramente desactualizados

Mas a verdade é que empreendedores e manifestantes não passam de conceitos abstratos e as manifestações são feitas por pessoas e não por conceitos abstratos. E está aqui o que vocês não conhecem e só daqueles que estiveram de fora e passam a estar dentro é que entendem:
- As pessoas que vão às manifestações não vão porque é fácil. Ir a uma manifestação implica várias deslocações, acordar cedo, preparar almoço e lanche e, nalguns casos, até jantar para comer pelo caminho. Ir a uma manifestação implica andar a pé horas seguidas e ficar de pé outras tantas horas, debaixo de sol ou chuva, com frio ou calor. E é cada vez menos fácil à medida que uma pessoa fica mais velha, mais frágil e mais doente.
- As pessoas não vão às manifestações porque é bonito. Ir a uma manifestação implica fazer uma viagem em autocarro. A maior parte das vezes o autocarro mais rasca que a autarquia disponibiliza ou o melhor que os organizadores podem pagar, que é também o mais rasca que a transportadora tem. Implica fazer uma viagem pela auto-estrada e só parar em estações de serviço, fazendo todo o percurso de várias horas sem nada de interessante para ver. Ir a uma manifestação implica que se vá à capital do país e não se possa disfrutar de nada do que esta oferece, o mais próximo de actividade cultural que se pode arranjar é ver ao longe e por fora o Mosteiro do Jerónimos em Belém ou ver também ao longe e por fora a Assembleia da República (que para quem não sabe é um monumentos histórico e classificado).
- As pessoas não vão às manifestações porque é barato. Deste mito eu gosto particularmente, porque isso de “os sindicatos é que pagam” é uma aldrabice tão grande como aquilo de “os contribuintes é que estão a pagar”. Em primeiro lugar, sindicatos são conceitos abstratos, como os manifestantes e os empreendedores. Ir a uma manifestação implica gastar dinheiro na viagem, porque quem desconta para o sindicato é normalmente aquele bicho horrível do manifestante. Ou seja, pelo menos para essa pessoa há um custo inerente. Mas atenção, esse desconto não cobre a actividade manifestação na sua totalidade, porque esse desconto e porventura os apoios do estado, serve para garantir formação na área laboral, muitas vezes só fornecida pelo sindicato, serve para garantir apoio jurídico aos sindicalizados e serve para cobrir os gastos funcionais dos muitos processos que é o sindicato que patrocina, serve para garantir os gastos funcionais das negociações com o Estado ou com os patrões, serve, no limite, para aproveitar a todos os trabalhadores e não só aos sindicalizados. Ir a uma manifestação sai caro e são as pessoas que vão à manifestação que pagam esses custos, fazendo contribuições especiais à parte para cobrir os gastos.
- As pessoas não vão às manifestações porque não têm nada para fazer. Ir a uma manifestação implica alterar toda a agenda de uma família, onde estava um dia de praia ou descanso, passa a estar uma viagem cansativa e dispendiosa. Onde estava um dia de trabalho, passa a estar um dia de greve que não é pago.

Agora podem manter a vossa opinião sobre a validade ou utilidade das manifestações, mas lembrem-se que essa “praga de manifestantes” que, de quando em vez, ataca Lisboa está a gastar o seu tempo e o seu dinheiro, e não o tempo e o dinheiro dos outros, está a prejudicar-se a si própria no imediato, para que no futuro todos, e não só eles, possam beneficiar. E quem sabe se um dia, quando estes também acharem o furo à coisa não vão depois ouvir “ainda bem que não desistiram, a próxima foi de facto a derradeira”. Por isso já sabem, não se deixem enganar e se não querem ajudar, porque isso é demasiado aborrecido, ao menos não empatem.


E isto aprendi eu depois de ir a manifestações a 350 km de distância, a sair de casa às 7 da manhã, a chegar às 11 da noite e ainda ir trabalhar no dia a seguir. E só quem vai a uma manifestação é que percebe que não é fácil, nem bonito, muito menos barato.


*Palavras de um senhor manifestante, no dia 10: "o que é feio, o que é feio, é ficar no passeio!"


Mara Beldroegas

sábado, 12 de julho de 2014

Spam à antiga!

Uma vista geral da carta.
Apesar de, profissionalmente, ter contactos em outras partes do globo, não é todos os dias que recebo cartas da África do Sul. Aliás, esta foi até a primeira, o que motivou a minha surpresa quando a vi ali estendida no chão do escritório, junto à ranhura por onde entram normalmente as cartas. Inicialmente ainda pensei que a minha fama começava a dar frutos no estrangeiro, mas aberto o envelope que não trazia qualquer referência ao remetente lá me apercebi que estava perante uma missiva bem diferente!

É verdade, eu tinha acabado de receber uma carta de SPAM! Sim, Spam daquele que costumamos receber por email e que o Gmail permite que vá directamente para uma pasta de "Correio Electrónico não desejado". Mas na porta do escritório só tenho uma ranhura e por isso o carteiro meteu mesmo lá a carta! Uma carta que alguém se deu ao trabalho de imprimir, assinar e enviar por correio, gastando dinheiro em selos e no envio! UM SPAM À ANTIGA, PAH!

O conteúdo da mesma não era novidade, até porque já o tinha recebido por email. Desta vez não estava perante nenhum príncipe nigeriano que precisava da minha ajuda, mas de um funcionário de um banco que sabe de uma conta internacional que está parada há alguns anos. Infelizmente, parece que o seu titular, um tal Sr. Cheong, faleceu - ele e a família toda, porque há pessoas com azar - durante o tsunami que há uns anos devastou parte do continente asiático. 

R.I.P. Mr. Benjamin Cheong

Ora, se a conta não for movimentada em breve, diz o prestável funcionário do banco que requer a minha ajuda, a quantia que lá está depositada - e que não são poucos dólares - reverterá a favor do Estado Sul Africano. Ora, é nesse sentido que o tal funcionário requer a minha ajuda num esquema que mais parece tirado de um filme daqueles que dão na SIC durante as madrugadas de Domingo em que um actor como o Steven Seagal interpretaria o meu papel - e onde, eventualmente, eu iria acabar a lutar com alguns familiares do Sr. Cheong, porque o Stevem Seagal tem que mostrar que percebe de artes marciais.


Movido o dinheiro de conta para evitar que caísse nas mãos do Estado Sul Africano, ele ficaria com uma parte, eu com outra e uma outra seria utilizada em despesas com o processo.

Agora, reza a lenda que é esta questão das despesas do processo que normalmente traz água no bico, já que enquanto não é possível mover o dinheiro, o Sr. do Banco pede a nossa ajuda - e por ajuda quero dizer dinheiro - para dar andamento à coisa.

Assinado pelo próprio do Sr. Freedom John Muzi
E se é certo que só muito lá no fundo da minha vivida imaginação é que consigo imaginar que há de facto um Sr.  Muzi algures na África do Sul a pedir a minha ajuda para um esquema que embora ilegal deixar-me-ia bastante rico, há pessoas que muito mais facilmente acreditam nestas conversas e, segundo já li pela internet, chegaram-se a consultar advogados para avançar com a coisa. 

Da minha parte, já sei como funciona o mundo real: não há cá solteiras na minha área a querer conhecer-me, não há príncipes nigerianos a pedir a minha ajuda e nem há nenhum Sr. Cheong que tenha deixado uma pequena fortuna no banco.

Fica, no entanto, uma carta de Spam à antiga no arquivo, para me lembrar que este é um mundo onde pessoas ainda enviam cartas à antiga a tentar passar a perna a outras.

Mário R. Cunha

terça-feira, 8 de julho de 2014

Carcassonne - Aquele que já se tornou um clássico obrigatório


Este post tem o apoio do:

Desta vez, venho-vos falar de um clássico dos jogos de tabuleiro. Daquele género de clássico que já foi jogo do ano há mais de uma década e continua a dar cartas, a lançar dados e a realizar campeonatos nacionais e mundiais todos os anos. Este já é um clássico e um dos preferidos de todos. Hoje falo-vos de (introduzir rufar de tambores) Carcassonne.

O Carcassonne é comercializado em Portugal pela Devir, com tradução em português, e pode ser encontrado à venda na FNAC, na Livraria Bertrand e noutras lojas que podem pesquisar através da procura no site. Também pode ser encomendado directamente através do site da loja da Devir.

O original

Este jogo, para 2 a 5 pessoas, não tem um tabuleiro propriamente dito com que começar a jogar, tem antes um conjunto de peças de tipologia variada que se vão colocando na mesa de forma a construir algo semelhante a um mapa, e cada jogador tem à sua disposição 7 bonequinhos para ir marcando pedaços do mapa e um outro bonequinho que servirá como marcador de pontuação no tabuleiro de, adivinharam, pontuação. As peças “mapa” podem representar partes de cidade, partes de caminho ou claustros (mais propriamente, ermidas, mas na tradução ficou claustros e até agora ninguém além de mim parece estar muito preocupado com a terminologia…). Algumas peças têm componentes de cidade e componentes de caminho em simultâneo. Além das componentes de construção, a maioria destas peças “mapa” têm uma significativa área relvada que serve para construir quintas (se bem que imaginárias, porque não têm qualquer representação gráfica ou física no jogo). Uma vez que o não tem um tabuleiro fixo (excepto o de contagem de pontos e que só serve para uma pessoa não se perder) a sua dinâmica de jogo funciona ao estilo Dominó, em que cada jogador tira à sorte uma peça da pilha de peças disponíveis e tenta depois encaixá-la nas peças já dispostas em jogo de forma a que o desenho resultante seja coerente. Ou seja, um jogador que tirar uma peça com componente caminho terá que a colocar no “mapa” continuando um caminho já existente. Após a sua jogada, cada jogador poderá reivindicar uma componente da sua peça, colocando nela um bonequinho da sua cor. A contabilização de pontos por cada cidade, caminho ou claustro é feita no momento da finalização da sua construção e o bonequinho marcador volta para o jogador para poder ser usado novamente. O jogo acaba quando acabarem as peças “mapa” e as construções inacabadas e as quintas são contabilizadas apenas neste momento. Ganha o jogador que somar mais pontos.


Agora, porque é que este jogo é um espetáculo?* Este jogo é bastante interessante porque as nossas oportunidades vão mudando à medida que o “mapa” vai sendo disposto pelos vários jogadores. Por isso, além de um jogo de estratégia na colocação de peças e marcadores de construção, é também um jogo de sorte, em que, a cada peça nova, podem surgir alianças ou querelas com um jogador em particular. É claro que, por ser um jogo “todos contra todos”, às vezes permite o aparecimento do método “se eu não ganho, tu também não ganhas” em que um jogador que se vê sem hipótese de vencer passa a ter como objectivo impedir que outro jogador consiga pontuar – e esta é uma das muitas maravilhas de jogar com um grupo de amigos de longa data…

Apesar de ser um jogo que, ao contrário dos anteriormente apresentados, requer um pouco mais de atenção e planeamento, a verdade é que, depois de dominado, tanto pode ser um jogo familiar, para maiores de 8 anos, que reunirá a família de miúdos e graúdos durante uns bons 60 minutos, como pode ser um jogo de saudável disputa e paródia entre amigos, que não olharão a meios para ganhar ou para desgraçar o jogo do vizinho, se possível.



*Na minha opinião em particular, este jogo é muito fixe, porque eu sei fazer quintas muito bem e como as quintas só são contadas no final e normalmente ninguém repara que o marcador lá está, acabo por conseguir um grande boost de pontos e ganhar o jogo. :P 


Mara Beldroegas

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Rumo a Tavira: Espalhar sorrisos pelo mapa

São Brás de Alportel, apesar de ser uma “pequena” vila do interior, tem até bastantes caches disponíveis, motivo pelo qual optámos, naturalmente, por começar no “nosso quintal” as primeiras experiências nesta actividade outdoor que é uma espécie de caça ao tesouro do séc. XXI.

Assim, depois de termos completado grande parte das caches no nosso concelho, e após umas pequenas e rápidas incursões nos arredores para preencher algumas lacunas e espalhar mais uns sorrisos pelo mapa de Geocaching, que está sempre a “crescer” em quantidade, decidimos ir mais longe – embora não muito, que a gasolina está cara – e planeámos uma incursão à bela cidade de Tavira.

Como de costume, delineámos com a devida antecedência o que iríamos fazer para que pudéssemos optimizar o tempo e a viagem. O objectivo eram dez caches, cuidadosamente planeadas ao longo de uma rota que nos levava até ao coração de Tavira. Seguimos então, logo de manhã, estrada fora em direcção à cidade que tem o recorde de número de Igrejas. 

A primeira cache do dia surgiu antes ainda de chegar à cidade propriamente dita, na berma da estrada N270. A cache, de seu nome WTF? (GC42W7N) surgiu com facilidade e marcou o ritmo que haveríamos de manter durante o resto do dia. À primeira vista esta cache não nos leva propriamente a um local particularmente interessante ou com uma bela vista, mas os olhares mais atentos aperceber-se-ão de uma construção na vizinhança bastante peculiar.

A Mara a deixar o seu log.
Depois de uma rápida pausa para meter o protector solar que o dia pedia – a exposição ao sol não é só perigosa na praia – avançámos em direcção a Santa Margarida. Santa Margarida é, não apenas o nome da localidade, mas também da cache (GC29E08) que nos dá a conhecer um local que foi em tempos um espaço privilegiado de culto e romaria. Contudo, a capela está agora votada ao abandono e restam apenas as memórias de um local que reunia centenas de pessoas, unidas pela sua devoção. Com a ajuda da dica e de alguns logs já feitos, esta cache surgiu também com facilidade, permitindo fazer o segundo log do dia.

Seguindo a estrada, avançamos até à cache Famous 5 (1) (GC1GJV3), situada no Alto do Perogil. Apesar de na descrição constar a promessa de belas vistas, a verdade é que talvez esta promessa seja apenas verificável noutra altura do ano, já que os tons castanhos dominavam agora a paisagem, que não era particularmente atractiva. Depois de alguns minutos a queimar tempo devido à presença de alguns muggles – expressão que os geocachers utilizam para descrever as pessoas que não se dedicam à actividade e que teve a sua origem nos livros do Harry Potter – lá conseguimos fazer a cache, ficando assim prontos para avançar.

E assim o fizemos, em direcção à “Uma Nora na Rotunda (GC33XTK)”. À semelhança do que acontece com a de São Brás de Alportel, a cache não está realmente na rotunda, pelo que não se precisam de preocupar com a ideia de terem que andar no meio da rotunda à procura. No entanto, há ainda assim que contar com a dificuldade acrescida de uma cache que está escondida junta a uma estrada bastante movimentada. Aqui há três opções: fazer a cache de noite, quando há menos trânsito; entrar modo ninja, que, a não ser que sejam realmente ninjas vai dar demasiado nas vistas ou, por fim, a minha preferida – agir como se fosse tudo muito natural. Assim ninguém vai dar conta de que vocês estão sequer lá … é a antiga ideia de que as coisas melhor escondidas estão à vista de todos! E foi colocando esta terceira via em prática que fui buscar o container da cache em causa, par que pudéssemos logar no conforto do “cachemobile”. Reposto o container ao seu “ninho”, seguimos viagem até ao Tavira Plaza, onde aproveitámos para recuperar energias, ver as vistas e esperar que as horas de maior calor passassem, evitando assim problemas como a insolação e a desidratação. 

Não foi senão já perto das 15:30 que, no exterior ainda que mesmo “colados” ao centro comercial, fomos fazer a cache da ECOVIA do LITORAL - Fim do Troço Urbano de Tavira (GC36VAD). Uma vez mais, com a devida atenção aos muggles que estavam nos arredores e ao trânsito que passava constantemente, assim como ao lixo que infelizmente se havia acumulado nas imediações da cache, lá conseguimos logar mais esta, deixando assim mais um sorriso em Tavira.

No largo de Santa Ana, onde fica a cache com o mesmo nome.
Só de seguida nos aventurámos por Tavira propriamente dita, em busca da cache de Santa Ana [Tavira] (GC1TXGF). Desta vez sim tivemos direito a uma vista mais interessante, num largo bem castiço onde se situa a Rádio Gilão. Aproveitámos para ver melhor as vistas enquanto logávamos mais esta visita.

Seguiu-se, já do outro lado do rio, a cache A Lenda do Rio Gilão/Séqua (GC4V80Q). Obrigando-nos a um pequeno desvio das ruas principais de Tavira, permitiu-nos subir a um pequeno monte que nos permitiu uma vista privilegiada do rio e das duas pontes … assim como as de algumas varandas que os faziam incorrer na prática de um crime de devassa da vida privada se alguém andasse por lá. Felizmente as varandas estavam tão desertas como a Assembleia da República numa sexta-feira à tarde e por isso foi com facilidade que, feita a cache, descemos até ao coração de Tavira para ir fazer a “Tavira, A Bela” (GC3QDZY)

Será apenas importante referir que esta nossa agenda tinha passado ao lado de multi-caches, pelo que apenas temos aqui sugestões de caches tradicionais que não implicam andar munido de uma calculadora e bloco de notas. Essas deixamos para outra altura!

Junto ao Rio Gilão, depois de ter feito a cache "Tavira, A Bela".

Feita a nota, de referir apenas que a cache “Tavira, A Bela” padece apenas de um mal que já aqui revelámos e que é bem mais comum nas caches urbanas: o perigo dos muggles. A cache está num local bastante movimentado e onde andar à procura de algo poderá dar a impressão errada. Felizmente, utilizando a técnica dos turistas que tiram fotos a tudo e a todos, lá demos com ela de boa saúde. Feito o log aproveitámos apenas para ir tirar umas selfies com o rio como fundo e reparámos numa coisa bem curiosa, que, admito, não era do meu conhecimento: alguém está a tentar fazer da ponte pedonal de Tavira uma ponte ao jeito da de Paris, prendendo lá cadeados com manifestações de amor eterno (ou pelo menos que durem até serem em tão grande número que façam a ponte cair).

Um dos cadeados. Boa sorte com isso Tobi e Moni!

Em seguida avançamos para aquelas que seriam as duas últimas do dia: Estação de Tavira (GC3KFG5) e INEM - Ambulância Suporte Imediato de Vida –Tavira (GC42TJ0). Enquanto a primeira levou-nos, ainda que ao engano, a conhecer o interior da Estação de Comboios da Tavira – bem bonita, por sinal – a segunda levou-nos até perto do Centro de Saúde. Nunca faz mal saber onde se situam estes serviços.

Nós sorridentes junto ao Poço dos Desejos.
Era assim com dez cache feitas em dez planeadas - uma taxa de execução de 100% que nunca tínhamos conseguido obter até hoje, já que havia sempre um DNF (Did Not Find) – que, dadas as horas, decidimos que ainda haveríamos de fazer pelo menos mais uma. Desta vez já não em Tavira, mas em São Brás de Alportel. Era a cache “Poço dos Desejos” que, pelos comentários que haviam sido feitos, tinha um elemento surpresa que a tornavam numa novidade bastante apetecível. Fizemo-nos então à estrada seguindo as coordenadas do parque de estacionamento aconselhado para quem faz então esta cache. Estacionado o cachemobile lá fomos, velozes e afoitos, monte acima por um caminho que nos levou até à tão esperada cache. Não direi muito sobre ela para não estragar a experiência de quem lá for, motivado ou não pelo presente relato, mas posso dizer com alguma autoridade que o mecanismo criado para chegar à cache é uma boa mudança naquela que é a regra da maioria das caches e que implicam andar à procura de um container no chão ou junto a um muro.

Feita esta cache, que fica certamente na memória e será, sempre que possível, aconselhada por nós a amigos geocachers, decidimos ter ainda tempo para mais uma. Apesar de implicar um pequeno desvio, fomos então fazer a do Poço Velho da Mesquita que surge com facilidade vista a imagem spoiler.

Concluímos então a jornada de geocaching com 12 caches em 10 planeadas o que é, para nós, um recorde. Muitos sorrisos ficam ainda por espalhar no mapa, mas cada um que inserimos vale, não apenas pelo facto de termos ficado com mais uma cache feita, mas pela experiência de a encontrar e pelos sítios a que somos levados por esta actividade que apenas lamento não ter começado a fazer mais cedo.

E aos amigos geocachers que lerem este relato, espero que o mesmo vos ajude a determinar um dia também do vosso agrado para que possam também ir deixando os vossos logs por ai. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Lixo?, um jogo para um mundo mais ecológico


Este post tem o apoio:

Ontem recebemos a nossa encomenda da MESABoardgames, que teve a amabilidade de juntar ao nosso Ragami, um exemplar da primeira edição do jogo Caravelas e um Lixo? que integrarão o fundo de jogos do Grupo de Jogos de Tabuleiro de São Brás de Alportel. Como não podia deixar de ser, a curiosidade impeliu-nos imediatamente a experimentar um dos jogos e a escolha recaiu sobre o Lixo? porque nos pareceu ser o mais intuitivo e rápido dos três. Confirma-se que é simples de entender, rápido na sua dinâmica e divertido, mesmo quando jogado apenas com dois jogadores. 

Como o Grupo de Jogos de Tabuleiros de São Brás de Alportel não tem um blogue próprio, aproveitaremos este espaço para, tal como fizemos com o Raj, deixar a nossa opinião sobre este novo companheiros de horas vagas.


A premissa deste jogo é fazer pontos ao reciclar papel, plástico, vidro, pilhas e resíduos domésticos, através da “recolha” de contentores cheios. Existem 180 cartas Lixo de 5 cores diferentes (vermelho: pilhas; verde: vidro; amarelo: plástico; azul: papel; cinzento: resíduos) e cada jogador começa com uma mão de 5 destas cartas. Além das cartas Lixo existem 25 cartas contentor e 5 cartas Stop (com o símbolo reciclar) que ditam a dinâmica de jogo. Cada jogador quererá colecionar contentores de modo a fazer pontos, para tal licitará, à vez, usando as cartas da sua mão para tentar “encher” esse contentor, apostando apenas cartas que tenham a cor do contentor em jogo. O jogador seguinte terá que suplantar essa aposta se pretender ficar com o contentor. As rondas de apostas terminam quando todos os jogadores declinarem a sua vez e ganha o contentor quem tiver na mesa mais cartas Lixo. Os jogadores que não arremataram o contentor recolhem as suas cartas apostadas e colocam-nas à sua frente numa pilha de “não reciclados”, que contabilizarão pontos negativos no final do jogo. As cartas Stop (símbolo reciclar) determinam que o início das rondas de apostas passa para outro jogador e que cada jogador receba 5 cartas Lixo para a sua mão. Não há limite de cartas que cada jogador pode ter na sua mão e as cartas Stop podem sair todas seguidas. O jogo termina no final da ronda de apostas sobre a última carta contentor. Quem tiver mais pontos, depois de fazer a diferença entre contentores e lixo não reciclado ganha o jogo.

 Carta Stop


Lixo é um jogo de cartas para 2 a 6 jogadores com idades entre os 8 e os 80. 
Recomendamos este jogo a quem quer preencher pausas rápidas e também a quem quer passar uma mensagem didática de ecologia. Apesar de não ter ilustrações infantis, é pela sua dinâmica e objectivo uma escolha acertada para entreter os miúdos, pelo menos 20 minutos, que é o tempo estimado de duração para cada jogo. Mas também funcionará bem com os graúdos, já que cada jogador não é obrigado a apostar na sua ronda, nem é obrigado a apostar o máximo de cartas que tem se escolher fazê-lo, por isso, para os adultos este poderá ser um jogo de estratégia e luta pelas cartas contentor de pontuação mais elevada, em vez da simples tentativa de açambarcamento de todas as cartas do jogo.

Este jogo é comercializado em Portugal pela MESABoardgames e pode ser adquirido directamente através do site, através da página do jogo.


Mara Beldroegas

terça-feira, 1 de julho de 2014

MED 2014 – 1º Dia - Viagem ao Mundo em Algumas Horas


Entrada do Med
“O MED surgiu em 2004, no âmbito do programa de “Loulé, Cidade Anfitriã” do Euro 2004, numa tentativa de concretizar um festival de “música diferente e único”, que potenciasse a promoção do concelho e permitisse qualificar e diversificar a oferta turística, bem como revitalizar a zona histórica da cidade.”
Extraído do folheto do Festival MED 2014

O Festival MED cumpriu este ano a sua 11.ª Edição e continua em força com a aposta na diversidade cultural que só a música do mundo pode oferecer. Obviamente que, às vezes, essa diversidade acaba por nos espantar pelo rumo que toma, nos antípodas daquilo que estávamos à espera. Com artistas dos mais variados fundos culturais e étnicos chega a ser surpreendente quando uma banda do Mali (Debademba), um país africano, entra em palco com guitarras e não tambores… E vocês vão dizer “ah isso é porque tu és racista, porque é que os senhores do Mali não podem tocar outra coisa que não tambores?” É verdade, mas ainda hoje vi uma banda de heavy metal só com senhores do Sri Lanka e admito que me fez alguma comichão. Não é porque os senhores do Sri Lanka não possam gostar de ser metaleiros, é só porque vinga em mim (e possivelmente na maioria das pessoas que estão a ler isto, embora neste momento jurem a pés juntos que é mentira, que têm uma mente muito aberta e visionária e que nunca pensaram sequer em estereotipar o senhor metaleiro com branco, gadelhudo e vestido de preto) uma ocidental falta de hábito de pensar que outros países, nomeadamente africanos e asiáticos, possam gramar à brava tocar guitarras eléctricas… portanto, não é uma questão de racismo, é uma questão de preguiça mental, o que também não abona muito a meu favor, mas ao menos não parece tão mal (neste momento a maioria das pessoas que estão a ler isto até está a acenar que sim com a cabeça, porque a elas próprias já não parece tão mal pensar assim).

Bomba Estéreo
Outra coisa em que houve desacordo nas previsões foi Bomba Estereo, da Colômbia. O Mário disse que devia ser Hip Hop e eu disse que era capaz de ser Reggaton. No fim de contas acabámos por descobrir que esta banda parecia ser uma versão latina e sul-americana daquilo que cá seria Buraka Som Sistema. Obviamente que também não estávamos à espera e mais depressa punha os senhores do Mali a fazer Kuduro electrónico do que os senhores da Colômbia, que esperava trazerem flautas de pã… Isto é o que faz uma pessoa ir à descoberta do maravilhoso e do fantástico em vez de fazer o trabalho de casa. Mas também há quem diga que assim é mais divertido, pelo menos mais surpreendente… (nos outros dias, a curiosidade matou o gato antes de ser o susto a fazê-lo, mas isso fica para depois).

Para terminar com as surpresas, que as outras bandas já eram mais ou menos aquilo que sempre foram – Ala dos Namorados e Primitive Reason, por exemplo – terminámos com a grande e feliz descoberta em português. Ai! é o tipo de coisa que uma pessoa diz quando lhe pisam o dedinho do pé (aquele que só serve para ser pisado e bater nas quinas dos móveis) e que aparece nas palavras cruzadas como a definição de lamento em duas letras. Perante estas ideias, qualquer português normal assumiria imediatamente que uma banda chamada Ai! era sinónimo de fado, porque, convenhamos, a premissa é mais ou menos essa (o Mário está aqui a mandar vir comigo a dizer que ele não achava nada que era fado e que essa ideia é maluquice minha). Mas afinal não, Ai! é muito português, mas mais castiço e tradicional, no sentido mais étnico que ainda é possível ter por cá.

Primitive Reason
Resumindo, o MED tem sempre esta vertente “surpresa” que nos leva a descobrir bandas catitas, que de outro modo passariam completamente despercebidas. Por isso, o União de Factos aconselha a quem também gosta de unir factos desencontrados a dar um pulinho ao MED no ano que vem, talvez venham de lá com umas coisas engraçadas para mostrar aos vossos amigos. Nós por cá ficamos a fazer uma reza para ainda vermos ao vivo esse grande artista que é Sandu Ciorba.

Disclaimer: O Mário manda que se faça público e informa que não tem nada a ver com este artigo e não aceita qualquer responsabilidade profissional ou artística pelo seu conteúdo e/ou afirmações. Poderá ou não partilhar de algumas das opiniões expressas, contudo não aceita qualquer vinculação às mesmas agora ou no futuro.

Disclaimer 2: É isso que está aí em cima menos na parte em que é para dizer que a minha pessoa é maluca, isso ele já diz que lhe pode ser atribuído.

Texto de Mara Beldroegas
Fotografias de Mário R. Cunha

Raj ou Como coleccionar ratos nunca pareceu tão bem


Este post tem o apoio:
Um dos mais recentes gostos adquiridos deste espaço é a actividade de jogar em grupo e em 3D, que tem por base aquele conceito de convívio humano directo de que ainda ouvimos falar no início da nossa infância, os jogos de tabuleiro. Embora muita gente gira e jovem opte hoje por uma coisa extraordinária que é juntarem-se no mesmo espaço para jogar em conjunto via internet, cada um no seu computador e que representa uma evolução do primitivo “vou só ligar-me à net e jogar com outras pessoas a partir da cave dos meus pais, onde não vou precisar de estabelecer qualquer tipo de contacto social ou emocional”, a verdade é que muita outra gente igualmente jovem e gira (eu diria que é até mais gira, mas isso ia soar preconceituoso, por isso, façam de conta que não leram esta parte…) está a aderir em massa a este movimento revivalista de jogar frente-a-frente jogos de tabuleiro e jogos de cartas.

Como neste momento, e depois da incubação de vários meses no Grupo de Jogos de Tabuleiro de Faro, aqui os “Jes” estão a revolucionar São Brás de Alportel com o seu próprio grupo de jogos de tabuleiro local (para dinamizar um conselho do interior e permitir o acesso cultural àqueles que não se podem deslocar ao pólo de Faro para jogar – inserir música de campanha eleitoral para maior impacto – fora de brincadeiras, esse é mesmo o objectivo real e sério do grupo) vamos começar a partilhar convosco aquilo que temos por cá.

Abrindo as hostes com um entretenimento mais leve, apresento-vos um jogo de cartas que permite até 5 jogadores e idades entre os 8 e os 80.


O Raj é um baralho de cartas de mão definida em que cada jogador possui 15 cartas de valores 1 a 15 para usar como “moeda” durante a partida. O objectivo é acumular pontos e para isso é preciso coleccionar o maior número possível de cartas Rato, que dão pontos de 1 a 10, e o menor número possível de cartas Abutre, que tiram pontos entre -1 e -5. Em cada rodada é revelada, à sorte, uma destas cartas especiais e todos os jogadores terão que apostar para a ganhar. As apostas são cegas, como no papel-pedra-tesoura, e são reveladas ao mesmo tempo. Quem tiver a carta mais elevada ou mais baixa leva a carta, consoante seja Rato ou Abutre.


Este é um jogo muito intuitivo que permite aos mais novos jogarem entre si com facilidade e aos adultos fazer um alarido igualmente alegre sobre o resultado das apostas e a sua maior ou menor aptidão para jogar poker. Não é um jogo que exija muito tempo ou concentração, estando mais virado para uma gestão rápida de expectativas e personalidades e para o recurso à memória das cartas que já foram jogadas.
Este jogo simpático é comercializado em Portugal pela Morapiaf e podem adquiri-lo directamente através do site, através do separador comprar do Raj.


Aconselhamos vivamente por ser rápido e intuitivo e excelente para uns minutos de pausa entre outras tarefas.


Mara Beldroegas